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Depois de umas raladas atípicas no estágio, coloco no divã esses meses de “aprendizado profissional” que tive. Sem querer prolongar ou reviver tudo o que passei (sobretudo no mês de setembro), chego à leve conclusão de que me fizeram acreditar que era um péssimo funcionário, com um problema aparentemente irresolutível, fazendo minha cabeça maquinar uma saída: terapia. Fui em algumas sessões, me organizei, reduzi meus lapsos de ansiedade e informei à todos que estava buscando me consertar. Não é que funcionou? De lá para cá, não tomei mais nenhuma “porrada” verbal. Até o dia de hoje.

Bom, acontece que por conta disso hoje caiu um “crédito” em minha mente. Depois de uma repreensão (repito, atípica ao atual trabalho), venho a crer que em momento algum eu tive problemas com meu temperamento. Lembro claramente de meu desespero na época da grande ebulição de advertências contra minha pessoa, quando me sentia um louco, um anormal, alguém que precisava de ajuda, do contrário jamais se tornaria um bom profissional. E agora vejo que eu estava certo em me desesperar, pois eu realmente não tinha nada. Foram os comentários e a pressão do ambiente que fomentaram um caráter vulnerável em mim.

Foi notável a transferência de “Cristo” a ser crucificado dentro do ambiente de trabalho. Pouco tempo depois, vi uma outra estagiária ser covardemente pressionada e advertida por não cumprir com uma ação que aparentemente nem eles sabiam de que se tratava. E chamam isso de realidade profissional? Em quê empresa, hoje em dia, seu superior diz, com a boca cheia que ”Quem manda nessa p… aqui sou eu, eu sou a chefe”? Pelo que sei, há tempos o termo “chefe” foi extinto das relações profissionais.

Concluindo e continuando em “aprender na porrada” da “vida profissional”, vejo que claramente certas pessoas estão de tal modo inseguras consigo mesmas que, para manter-se no cargo fazem questão de jogar a responsabilidade (muitas vezes, desconhecida até por este delegador) para alguém que, tal como ele, não saberá resolver, fazendo com que este então “incompetente” seja arbitrariamente culpado, livrando os demais que estão (confortavelmente) no  puleiro acima. Em outras palavras, num bom português: se você não sabe o que fazer, bota a culpa no estagiário.

Cansei geral

Hoje me bateu um ‘cansei’ geral. Um desânimo ao sair da mesa do restaurante que veio chegando tão chatamente que pensei que fosse pelo ambiente, pelo clima de calor ou pelo lanche que não caiu bem. Negativo. O lugar é muito bom, recém-inaugurado (www.illumna.com.br), o calor estava bem controlado pelos ventiladores simpáticos que faziam aquele ar com cheiro de comida circular e o lanche, bom, o lanche era divino. Nome do lanche? Getsêmani.

Mas voltando ao desânimo sem motivo. Foi uma sensação de desgaste, de canseira mesmo. E talvez fosse por ver que acabo dando valor à coisas mínimas, fazendo com que estas acabem com meu dia e minha possível noite. Cansei de todo tipo de gente que não irá me acrescentar nada, cansei de ser visto e revisto por olhares que só buscam uma aparência física e uma barba feita. Cansei. E foi isso que pensei e falei para o Damião, que ia embora comigo, em direção ao Ebenézer (meu fusca). Segundo ele e sua experiência, esse desânimo se dá por falta de oração, pela falta da busca que temos de nosso Porto Seguro, que é o Senhor. Meditei nisso algum tempo e lembrei de muitas vezes que passei por isso e constatei que o meu ‘cansei’ ocorre justamente quando coloco meu olhar nas atitudes humanas, sempre me decepcionando. Logo, cansei de olhar o outros. É isso. Então parei. O meu “cansei” se transformou em “parei”. E o que me resta agora é observar e meditar. Antes que eu continue verbalmente a evolução do meu “cansei”, prefiro sintetizar que meu cansaço por essa sociedade faz afastar-me dela. Por isso, “parei”.

Hoje quando acordei para trabalhar (sim, pois é..) me lembrei do que se comemora em 2 de Novembro. Hum… dia de Finados. Acho intrigante como isso é cultuado, levam flores para o cemitério, como se os mortos fossem ver as cores, sentir os perfumes.. Muito estranho. Vá entender os humanos.. Imaginei (como o Bob, do desenho “O Fantástico Mundo de Bob”, já viu?) como valeria a pena esse feriado se o Finados fosse algo como “o único dia do ano em que os mortos voltariam a viver”. Seria bárbaro, não? Vinte e quatro horas ao lado de pessoas formidáveis (e outras nem tão formidáveis assim) que se foram. Comentei essa ideia com a Dona Antônia, minha mãe. “-Ai Dyego, credo!”. Okay, okay, eu extrapolo mesmo. Mas é apenas uma sugestão para uma próxima Humanidade que Deus esteja planejando criar depois do Armagedom.
 
Tudo na vida tem uma explicação. Se não tem, é porque a explicação está em outro lugar escondido que ainda não encontraram.

Novidades e coisas velhas se embaralham em nossa cabeça como num emaranhado de traumas irresolutíveis que mental, fisica e psicologicamente você não suporta. O que fazer então? Como agir perante uma crise de identidade, um relacionamento conturbado, uma discussão que feriu (ou abriu feridas), uma briga, uma inadaptação? A resposta é : Tudo pra cima.

É, é isso mesmo. É exatamente o que você pensou: jogar tudo pra cima. Esquecer o que se passa ao seu redor é uma tarefa difícil, e viver sem perceber ou conviver com os demais também não é ético. O que fazer então? Tudo pra cima.
 
Tudo pra cima é a vontade de sair correndo, se soltando dos tentáculos pegajosos que tentam te prender à um ambiente inabitável. É jogar tudo pra um lugar onde, sendo alto, Alguém vai pegar esses problemas, esses “nós”, e desfazê-los uma a um. É a esperança de que, se você joga algo para Algum lugar, esse algo será transformado. E moldado.
Esse é só um pequeeeeno rescunho de abertura desse BloG, onde pretendo “descarregar” tudo o que tiver entalado e implícito à minha expressão social. Doa a quem doer, não quero escrever aqui coisas para os outros lerem. Aqui será o meu diário (ou “semanário”, não sei) de bordo sobre minha vida nesse plano baixo, onde as coisas precisam (e serão, se depender de mim) lançadas pra cima.

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